MUSEU DA
DITADURA MILITAR

A inserção e a criação de um museu dedicado à ditadura militar inserem-se no campo das políticas de memória e da justiça de nosso país, constituindo-se como um instrumento fundamental para a preservação, a interpretação e a difusão de narrativas históricas sobre um período autoritário marcado pela supressão de direitos civis, pela censura institucionalizada e pela repressão estatal. Ao catalogar e sistematizar acervos documentais, testemunhais e materiais, o museu assume não apenas a função de problematizar o passado, mas sim de promover a análise crítica no momento presente de um passado não tão distante e compreender as estruturas de poder e os reflexos dos mecanismos de violência empregados pelo regime na vida de toda a nação. Nesse sentido, o espaço museológico não apenas contribui para a produção do conhecimento histórico, mas também atua como agente educativo e político, fomentando a reflexão pública, o fortalecimento da memória coletiva e a consolidação de valores democráticos e de respeito aos direitos humanos, tendo como elemento propagador e provocador o papel arquitetônico da edificação com uma proposta enclausura, não servindo apenas de pano de fundo para a proposta museológica, mas a edificação atuando como protagonista diretamente no olhar dos transeuntes do local e principalmente dos visitantes

fragilidade da
DEMOCRACIA
NO BRASIL
O Brasil ainda que debutante enquanto país não necessariamente enquanto nação, já viu por diversas vezes sua democracia ameaçada e afrontada por palatinos da moral e dos bons costumes, como se auto intitulam os bastiões da verdade, mas que na verdade não passam de saudosos da ditadura militar, regime esse que infelizmente se confunde com o nascimento de nossa nação uma vez que viemos ao cenário mundial não como povo e sim enquanto república de um golpe militar e desde Marechal Deodoro da Fonseca, uma parcela da população flerta com o militarismo tão enraizado em nossas entranhas, mas que bravamente lutamos por redemocratização a cada meio século e que assim continuaremos enquanto o último suspiro de liberdade estiver presente nas veias do povo brasileiro que tanto ama o acolher e o servir, um povo trabalhador que carrega em seu gentilício a tarefa de carregador de pau brasil algo único e singular no mundo, com isso que não nos falte a força para lutar por dias melhores sempre.


DIAS
REPUBLICANOS
Um dos reflexos mais emblemáticos que se pode constatar com a militarização de uma nação ainda que não sejamos um país destinado a guerra é que em quase 50.000 dias republicanos pós monarquia (21/12/25), 43% desses dias fomos governados por militares, quer eles tenham chegado ao poder através de golpes ou por voto popular, fato um tanto contraditório embora aceitável e respeitável na democracia desde a pólis grega que nos permite vivenciar o querer do cidadão como algo sublime e supremo e que deva ser respeitado.
chegada
AO PODER

Nosso país já teve 36 presidenciáveis eleitos e 39 mandatos ao total, desses 3 estiveram mais de uma vez no topo do Poder Executivo Nacional sendo eles: Getúlio Vargas que esteve a frente do país em dois momentos distintos com desfechos completamente diferentes, Ranieri Mazzilli nas duas vezes por curtíssimos períodos diga-se de passagem no segundo momento apenas 13 dias até a tomada definitivamente dos militares no ano de 1964, sendo esse o mesmo apenas um presidente momentâneo até que se determinasse qual general iria de fato tomar o poder, e mais recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comumente chamado e conhecido por Lula que esteve em sua primeira passagem durante 8 anos e segue em sua segunda passagem desde janeiro de 2023 até o momento.
Dos 39 mandatos já mencionados, 13 deles foram exercidos através de golpes militares, não sendo assim uma exclusividade dos anos sessenta do século passado tal façanha, dito e ratificado que alguns de nossos irmãos flertam com o militarismo e andam de mãos dadas com os generais.
Ainda que seja alarmante tais números, o voto popular levou ao posto mais alto do executivo 25 homens e uma única mulher, digo, Dilma Rousseff e que não poderíamos deixar de mencionar, mulher que lutou contra a ditadura, presa e sofreu atrocidades nas mãos de seus algozes, lutou bravamente e décadas depois se tornou a primeira mulher a subir a rampa do planalto como chefe de executivo abrindo assim o caminho para as demais que ainda virão, que não tarde, afinal estamos a esperar por dias mais gentis e firmes, dualidade que somente elas tem o dom de oferecer


localização

O Museu da Ditadura Militar está localizado em três frentes, nas seguintes ruas: Romão Gomes, Rua Agostinho Cantu, tendo como acesso principal na Avenida Valdemar Ferreira Nº 300, no bairro do Butantã, no distrito de mesmo nome na Zona O este de São Paulo.


Projeto
Arquitetônico
O projeto e como consequência o programa arquitetônico deriva da instabilidade e da insegurança civil e política do nosso país conforme citado anteriormente, e o produto tem como objetivo um espaço mais do que reflexivo ou contemplativo e sim de produção educativa e cultural, instrutiva e consciência coletiva.
Enquanto proposta o museu destina-se a propagação e instrução do ocorrido em nossa nação na década de sessenta, contudo não se limita a memória ou apenas o olhar ao passado embora fundamental em qualquer nação, mas trazer luz aos dias presentes e com isso poder lançar ao futuro o reconhecimento e entendimento de dias sombrios, e a principal proposta do conteúdo museológico é explicitar aquilo que uma parcela da sociedade deseja esconder nos porões da ditadura.
No tocante a propagação, o programa contém e contempla várias áreas e espaços que se propõem a cumprir esse papel, um dos espaços com um caráter artístico e fundamental no projeto é o auditório, que projetado em forma de Arena, bebe da fonte dos teatros que resistiram bravamente a ditadura e traz uma releitura do então icônico Teatro de Arena instalado no centro da capital paulista, além de palco de grandes espetáculos ele por sua vez foi palco de grandes injustiças, uma vez que artistas e atores eram presos sem ao menos terem os seus direitos civis preservados.


AUDITÓRIO
O auditório destina-se a população e não busca elitizar-se com a demanda da elite paulistana, apresentando assim espetáculos gratuitos e com entradas “Pague quanto puder”, a democratização da arte e da história, cumprindo seu papel.
Não menos importante, espaços destinados a educação histórica abordando a narrativa de seu tempo de pessoas comuns, da sociedade civil e de artistas nessa luta, em tais espaços citamos a sala de música carinhosamente batizada de “Sala Elis Regina”, espaço destinado a contar a luta da classe artística através da música e como ela em si foi um instrumento fundamental na luta contra a ditadura. Buscando a visibilidade necessária e o papel importantíssimo das artes em tal período.
As mulheres têm um papel de destaque no conteúdo museológico, através da sala: Mulheres que foram à Luta Armada, o nome do espaço busca trazer o reconhecimento a uma personalidade política que até então era uma apenas garota que sonhava em dias mais claros, que passou a ser perseguida e conhecida como a terrorista Dilma Rousseff. Um singelo reconhecimento por quem teve seu rosto desfigurado na tortura.
Os estudantes não deixariam de perpetuar um espaço expositivo fixo no programa. A sala leva o nome da jovem incansável Helenira Rezende representando os jovens massacrados e assassinados pela ditadura, demonstrando o poder dos livros e da juventude questionadora.
Foco central do espaço expositivo e museológico, a Cadeira do Dragão hora palco de tantas torturas, neste momento se encontra apenas como janela expositiva do passado e ao seu redor a rampa que convida a acessar os demais ambientes, compartilhando o seu legado dos que por ali passaram, nos proporcionando o olhar para cima e adiante.
Integrados em um único espaço contemplando diversas partes da sociedade, o museu da ditadura militar busca atuar como aparato histórico e cultural propagando tempos sombrios e histórias até então desconhecidas, e amplpiando ao seu redor e derredor a plenitude de dias democráticos.
Projeto
Arquitetônico

espaços
SOCIAIS
O projeto do Museo comtempla espaços sociais voltados a alta gastronomia como um restaurante estrela michelin, bares e cafeteria.

PLANO
MUSEOLÓGICO
EXPOSIÇÕES
FIXAS
Este capítulo tem como finalidade apresentar um ponto de um plano museológico, ferramenta básica de planejamento estratégico, de sentido global e integrador, visando a vocação e definição da instituição, que tem como método norteador a priorização dos objetos e das ações de cada área de funcionamento da instituição.
Segundo o decreto federal Nº 8.124/13, os museus devem atender quer sejam unificadas e/ou desmembradas as seguintes especificações, institucional, gestão de pessoas, acervos, exposições, educativo e cultural, pesquisa, arquitetônicas e urbanísticas, comunicação, socioambiental e acessibilidade.
Já destrinchada as questões focais deste trabalho,
digo, arquitetônicas, apresentaremos a seguir uma das especificações mencionadas no decreto federal, cito 8124, sendo elas no tocante as exposições.

A expografia fixa foi pensada e alinhada ao conceito e partido arquitetônico, uma vez que o acervo, a forma que por sua vez remete ao enclausuramento dos tempos sombrios da ditadura, a luz, ou a falta dela, o suporte, e principalmente o circuito visam proporcionar uma caminhada não ligada diretamente a linha temporal, sendo assim uma provocação histórica, uma vez que os espaços expositivos se desnudam aos visitantes por movimentos ligados diretamente ao combate da ditadura, e ao permear os ambientes por uma rampa circular realizando a ligação de diversas áreas e setores da nossa sociedade, não possuindo assim um protagonista para mitificarmos em relação a queda do regime, mas sim o povo em sua mais ampla forma de ser e combater.
A estrutura ainda que compartimentada, realiza a ligação entre os espaços e o caminhar em círculos apresenta o emaranhado de pessoas que em suas lutas ainda que individuais focaram no coletivo daquele e deste momento
EXPOSIÇÕES

SALA
HELENIRA RESENDE
O espaço museal destinado e dedicado em trazer à tona a memória dos estudantes que foram brutalmente assassinados no período da ditadura militar, é merecidamente batizado de Helenira Resende popularmente conhecida através do codinome Fátima.
Fátima natural da região do Araguaia, militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), líder estudantil e ex-vice-presidente da UNE, teve sua vida ceifada nos emaranhados da Guerrilha do Araguaia no ano 1972. A homenageada traz luz e representa os jovens estudantes secundaristas e universitários que atuaram diretamente na luta contra a ditadura, quer seja, ela armada ou não.
O espaço tem como elementos expositores, painéis de vidro atirantados por aço ao teto, nas seguintes dimensões: 1,80 de Altura por 0,80 de largura. Em seu interior, cito, painel de vidro, a representação dos estudantes é realizada através de uma grandiosa fotografia e uma breve descrição na parte inferior do painel em questão.
Um grande corredor desses painéis com nomes importantes do movimento estudantil é celebrado e relembrado uma vez que um terço das mortes na ditadura ocorreu de jovens universitários, e que por sua vez compõe o espaço expositivo.
Ainda que de forma tardia compreendemos que o poder dos livros e da juventude deixaram sementes e elas brotaram, fato é que as custas de vidas inocentes, embora considerados subversivos por portarem as letras e a busca pelo saber.
O poder dos livros e da juventude!


SALA
ELIS REGINA
A arte sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do regime ditatorial instaurado em nosso país nos anos sessenta, e nada mais justo destinar um espaço para contar quem bravamente resistiu e lutou através do que nós seres humanos mais necessitamos em tempos sombrios, ou seja, a cultura, e especificamente nesse caso, a música.
O espaço onde a musicalidade apresenta sua força junto as massas, leva o nome de um fenômeno musical sem igual nos anos sombrios, uma cantora que bateu de frente com os militares e por vezes ameaçada pelo sistema, mas que se manteve firme até os seus últimos dias, e com o devido reconhecimento apresentamos o Espaço Elis Regina, canção de protesto uma arma contra a ditadura militar.
Elis foi peça fundamental em um momento em que se firmava conceitualmente o que hoje conhecemos como MPB, ou melhor dizendo, Música Popular Brasileira, e é nesse contexto que surge o estilo que iria mover as massas contra a tal regime.
O espaço museal tem enquanto proposta apresentar aos visitantes através de uma imersão musical grandes nomes do cenário nacional e remeter as canções que outrora fizeram frente ao regime, para tal vivência, propusemos uma capsula musical que ao adentrar ao espaço o visitante passa a disfrutar da música que é tocada em cada uma delas, em cada cápsula é tocado um determinado cantor e/ou cantora, e a medida em que o visitante pisa na plataforma a musica é acionada e focada ao ouvinte em questão, não havendo assim uma mistura de músicas no ambiente. Na proximidade, cito, nas paredes do ambiente é fixado uma imagem do cantor, bem como uma breve descrição de sua obra.
Além de Elis Regina o espaço prevê a instalação de cápsulas dedicadas aos cantores não menos importantes, Caetano Velos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Nara Leão.
A obra de tais artistas comunicou massas, ontem, hoje e sempre comunicará o ideal de uma nação livre, onde a música pode ser apenas recreativa, mas para além disso em momentos necessários se torna inegociável o seu posicionamento e seu poder de comunicação.
Canção de Protesto, uma arte contra a ditadura militar


Mulheres que foram à luta armada!
As mulheres como em todos os contextos históricos e temporais sempre exerceram um papel fundamental em tempos difíceis, e na luta contra a ditadura militar não fugiu à regra e tal contexto nem tão pouco foi uma exceção, as mulheres atuaram bravamente na luta por direitos civis, em diversas áreas da sociedade. O espaço destinado a memória das mulheres, em especial as que foram à luta armada, leva o nome de uma jovem que atuou e participou de organizações que atuaram diretamente na luta armada, a jovem que ingressou aos dezesseis anos na Política Operária (Polop) até então desconhecida, passaria a ser um dos nomes mais conhecidos nacionalmente e que se tornou a primeira presidenta do Brasil, digo, Dilma Housseff.
O espaço apresenta e representa as mulheres que lutaram diretamente no conflito armado contra a ditadura, e que pegaram em armas. Muitas delas ainda jovem deixaram o conforto dos seus lares e passaram a atuar na clandestinidade em movimentos contrários a ditadura.
O espaço apresenta aos visitantes, nomes do cenário feminino das guerrilhas urbana e rural, e as atrocidades cometidas contra elas por seus algozes, para que a população jamais esqueça do que foi realizado e as torturas que a elas foram imputadas, algumas delas de dar inveja até mesmo a inquisidores.
Um expositor em vidro fincado em um bloco de ferro, faz a apresentação de mulheres fortes. A materialidade do ferro que propõe a firmeza e a dureza em tempos vis, por sua vez suportam a peça de vidro esse altamente sensível assim como a vida, em momentos finitos.
A exposição conta com grandes nomes de lideranças femininas, suas conquistas bem como as atrocidades sofridas, em um vai e vem de expositores, interligando o local.
SALA
DILMA ROUSSEFF

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exposição
dias republicanos
exposição
mortos na
ditadura militar

Olá, sou
Paulo Pinheiro
Arquitetura deve falar de seu tempo e lugar, porém
anseia por intemporalidade”
Frank Gehry
Esse projeto refere-se ao Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora do CENTRO UNIVERSITÁRIO FMU FIAM-FAAM como requisito parcial a obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo

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